Vinho do Dão foi “tinta” de Paulo Galindro no festival literário de Viseu


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O ilustrador Paulo Galindro deu, no sábado, uma nova utilidade ao vinho tinto do Dão, usando-o para pintar uma tela que representa a sua convicção de que quando alguém lê um livro fica iluminado.

A tela foi pintada durante um ateliê infantil de ilustração realizado no âmbito do primeiro Festival Literário de Viseu, intitulado “Tinto no branco” e que integra o evento “Vinhos de inverno”.

Paulo Galindro começou por admitir que era a primeira vez que pintava algo do género em público, apesar de ter feito testes antes, e explicou que para conseguir as cores que queria usar teve de deixar o vinho ferver até sair o álcool e ficar espesso.

“A última coisa que quero é que andem a molhar o pincel no copo do pai”, gracejou, acrescentando que também lhes ia explicar como pintar com café.

Primeiro surgiram as várias tonalidades do vinho tinto e, no centro da tela, as do café.

“Está a ficar um bocadinho feio”, comentou um menino com a mãe, pouco convencido de que dali iria sair “um desenho”.

Ao fim de cerca de hora e meia de pinceladas com vinho e café, alguns realces a carvão e uns apontamentos a branco, surgiu a imagem de uma pessoa sentada numa poltrona a ler, iluminada por um candeeiro em forma de livro e com um copo e uma garrafa de vinho no chão. No cimo, colocou a inscrição: “vinho é poesia engarrafada”.

Paulo Galindro explicou que se baseou no conceito de um ilustrador japonês que disse que “sem livros não há luz”.

Pelo meio, ensinou às crianças e aos pais as técnicas usadas para fazer os efeitos de luz e de sombra, desafiando-os a experimentar, porque “toda a gente sabe desenhar, está no ADN”.

Depois da constatação de que o vinho reduzido até ficar espesso parecia geleia de frutos vermelhos, do público surgiu a dúvida: “como se faz para não apanhar formigas?”.

No final, Tomás Silva, de seis anos, foi o primeiro a pôr-se na fila para experimentar pintar com café, ajudado por Paulo Galindro.

Habituado a usar lápis, marcadores e tintas acrílicas nos seus desenhos, disse à agência Lusa que agora vai também fazer experiências com café.

“E porque não também com vinho, se for supervisionado? Parece-me uma boa técnica”, considerou a mãe.

Organizado pela Câmara de Viseu, o festival literário “Tinto no branco” decorre até domingo e combina os prazeres da literatura com os dos vinhos do Dão, através da presença de 25 escritores e quase 30 empresas vinícolas.

 

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