Monumentos imortalizam 14 bombeiros de Armamar mortos em incêndio


Um violento incêndio na Serra de Lumiares, em Armamar, pôs precocemente fim à vida de 14 bombeiros, que nas últimas três décadas têm sido lembrados todos os anos como heróis e foram imortalizados através de dois monumentos.

O acidente ocorreu a 08 de setembro de 1985, dia em que morreram 14 bombeiros num só local, todos da corporação de Armamar e muitos da mesma família.

A 05 de setembro de 2010, o então Presidente da República, Cavaco Silva, esteve em Armamar para inaugurar um monumento de homenagem àquelas vítimas, situado à entrada da vila.

“Os bombeiros são exemplo de altruísmo, de coragem, de dedicação. Dão todo o seu esforço para salvar as vidas e proteger os bens dos cidadãos. São um exemplo dos valores do voluntariado e da dimensão ética da nossa sociedade”, afirmou, então, Cavaco Silva.

No ano passado, 30 anos após o acidente, foi erigido um novo monumento, situado na Serra de Lumiares, no local onde os bombeiros tombaram.

“O monumento que está à entrada da vila de Armamar é uma pedra alta, que tem sete capacetes esculpidos em pedra de cada lado, lembrando cada um dos nossos colegas”, explica à agência Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários de Armamar, Nuno Fonseca.

Na Serra de Lumiares, “foi colocado uma espécie de altar em pedra, que tem um capacete idêntico aos do monumento da entrada da vila, e em baixo tem os nomes dos 14 bombeiros esculpidos numa pedra preta”.

“No local em que eles faleceram existe um capacete preto em mármore por cada um, pregado na pedra, com o nome e as datas de nascimento e falecimento”, acrescenta Nuno Fonseca.

Segundo o comandante, todos os anos, no dia 08 de setembro, os 14 bombeiros são homenageados com uma missa e romagens ao cemitério, ao monumento que está na vila e ao local do acidente.

É também frequente ver pessoas junto ao monumento da entrada da vila, enquanto o situado na Serra de Lumiares é sobretudo visitado por bombeiros de outras corporações.

Sempre presente nestas homenagens aos 14 bombeiros – que tinham entre 17 e 39 anos – está José Manuel Fulgêncio, o único sobrevivente da tragédia e que atualmente é o porta-estandarte da corporação.

“Quando vou lá fico sempre muito triste porque eram os meus colegas, era o meu filho e éramos todos irmãos”, diz o idoso, que nesse dia perdeu um filho e um irmão.

Depois do acidente, José Manuel Fulgêncio chegou a escrever uma carta para o Serviço Nacional de Bombeiros a dizer que queria desistir de ser “soldado da paz”.

“Mas de lá disseram-me que não iam autorizar, porque se morreram 14 homens o nosso quartel ficou muito pobre e eu ainda era mais preciso”, conta, acrescentando que tem “44 anos de bombeiro”, apesar de já não estar no ativo.

Apesar da passagem dos anos, as memórias do 08 de setembro de 1985 ainda estão frescas.

“Andávamos num incêndio e na aldeia de Vila Nova começaram a gritar e a tocar o sino para os bombeiros acudirem”, recorda.

Os 15 bombeiros colocaram-se a pé em direção ao incêndio e, ao descer um desfiladeiro, ficaram cercados pelas chamas.

“Na altura era eu o chefe de piquete e iam todos à minha frente. Caí de um muro abaixo e fiquei separado da frente de fogo, foi por isso que me salvei”, acrescenta.

O tempo não conseguiu dar-lhe resposta a uma pergunta: “se era dia 08 de setembro, dia da Nossa Senhora dos Remédios, porque é que ela não fez um milagre? Nós andávamos a trabalhar, não andávamos em bailes e em festas”.

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