Inquérito a incêndio de São Pedro do Sul, ainda decorre

Incêndio Agosto 2017

o inquérito que o Governo pediu à Inspecção-geral da Administração Interna (IGAI) sobre o incêndio de São Pedro do Sul, do passado mês de Agosto, tem o processo ainda a decorrer.

A informação, foi avançada ontem, por José Manuel Moura, comandante nacional operacional da Protecção Civil, durante uma conferência de imprensa, onde foi feito o balanço operacional aos incêndios que deflagraram em 2016. Questionado sobre o inquérito ao incêndio de São Pedro do Sul, José Manuel Moura, afirmou “não ter informação privilegiada”, uma vez, que o processo é da competência da IGAI, sublinhando apenas, que o mesmo se encontra ainda a decorrer.

O comandante nacional operacional da Protecção Civil justificou ontem os valores da área ardida deste ano com a severidade meteorológica, mas lembrou que 2003 e 2005 tiveram as mesmas características e os prejuízos na floresta foram muito maiores.

Como explicação para esta situação, José Manuel Moura apontou a evolução “muito significativa do dispositivo de combate a incêndios florestais.

O comandante nacional operacional afirmou que a severidade meteorológica atingiu este ano o segundo valor mais elevado deste século e que este foi o segundo verão mais quente desde 1931.

José Manuel Moura adiantou que “a severidade meteorológica compromete naturalmente qualquer ano”, mas que em 2003 e 2005, anos com condições semelhantes, “a área ardida foi três vezes superior”.

“Portanto, quase que me apetecia responder que, com esta severidade meteorológica, só ardeu 150 mil hectares e metade foi em mato, o que não constitui um prejuízos tão significativo”, sustentou, destacando que há “um caminho percorrido na forma como o dispositivo responde”.

Segundo o comandante nacional operacional, o dispositivo terrestre respondeu a todas as solicitações durante a última época de fogos, tendo sido necessário reforçar os meios aéreos em Agosto através da ajuda de diferentes países.

“Um ano com esta severidade, o combate foi exposto a uma luta muito desigual, com um inimigo que só ataca, que não defende, e chegamos com este resultado, que para nós é muito positivo”, sublinhou.

Nesse sentido, José Manuel Moura considerou que, no futuro, o reforço não deve passar tanto pelo combate, mas sim pela prevenção.

O comandante destacou igualmente o facto de este ano não se ter registado qualquer vítima mortal entre os combatentes.

Segundo os dados ontem apresentados pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a área ardida este ano quase que triplicou em relação a 2015, tendo os fogos consumido um total de 152.251 hectares.

Já o número de incêndios diminuiu este ano cerca de 16 por cento em relação a 2015, tendo deflagrado 13.137 fogos.

A área ardida este ano é a maior da última década, mas com valores inferiores aos registados em 2003 e 2005, enquanto as ocorrências de fogo têm registado uma tendência de descida.

José Manuel Moura justificou a diminuição este ano do número de fogos com a “ausência de incêndios na primavera”.

Os grandes incêndios ocorreram sobretudo nos dias 06, 07 e 08 de Agosto, sendo também os fogos que deflagraram nesta altura que contribuíram para uma parte da área ardida.

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