Greve geral na Venezuela culmina semana em que os protestos subiram de tom





greve-venezuelaA greve geral marcada pela oposição venezuelana para sexta-feira culmina uma semana marcada por manifestações em várias cidades da Venezuela contra o regime do Presidente Nicolas Maduro, aumentando a pressão para que este abandone o cargo.

Os líderes da oposição venezuelana convocaram uma greve geral de 12 horas para sexta-feira, prometendo aos muitos milhares de manifestantes que saíram à rua em 24 cidades na quarta-feira fazer aprovar no parlamento uma declaração que responsabiliza Maduro pela grave crise económica da Venezuela.

“Vamos entregar uma nota a Nicolas Maduro em que o povo venezuelano declara que ele negligenciou os seus deveres”, afirmou o porta-voz da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, aos milhares de manifestantes reunidos em Caracas, que responderam com “Vivas” e aplausos.

Acrescentou que a decisão parlamentar será entregue no decorrer de uma marcha rumo ao palácio presidencial, marcada para 03 de novembro.

Na quarta-feira, a manifestação de Caracas foi a maior, reunindo 1,2 milhões de pessoas, segundo a oposição.

Noutro ponto da cidade, em frente ao palácio presidencial, milhares de apoiantes de Maduro também fizeram uma manifestação.

Ao contrário da oposição, o governo venezuelano considera que desde 1999 que não há qualquer cláusula constitucional que permita afastar um presidente devido a abandono de funções presidenciais ou que autorize uma votação dos legisladores para iniciar um processo de destituição de um Presidente.

A Venezuela, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo, está em profunda recessão económica devido à queda dos preços do petróleo bruto, o que tem impedido a entrada e acelerado a saída de divisas, causando grave escassez de muitos produtos básicos. Neste cenário, os apelos e manifestações para que Maduro abandone o poder têm vindo a multiplicar-se.

Nicolás Maduro diz que a crise económica resulta de uma conspiração capitalista, enquanto a oposição considera que se deve à sua má gestão económica.

Desde há meses que a oposição tem vindo a dar passos para organizar um referendo sobre a continuidade de Maduro no poder. Depois de vários avanços e recuos, com decisões judiciais controversas, na semana passada as autoridades travaram o processo de referendo.

A oposição venezuelana acusou Maduro de “golpe de Estado”, enquanto o Presidente diz que é a oposição quem está a ensaiar um golpe de Estado.

A marcha da próxima semana rumo ao palácio presidencial venezuelano pode vir a representar um novo marco na luta contra Maduro. O palácio presidencial venezuelano foi palco em 2002 da tentativa de golpe de Estado contra o mentor de Maduro, o entretanto falecido Hugo Chávez.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e ministro da Defesa, Vladimir Padrino, declarou na terça-feira a sua “lealdade incondicional” ao presidente.

Também na terça-feira, os legisladores votaram e aprovaram a realização de um “tribunal político e criminal” contra Maduro. No entanto, o Supremo Tribunal da Venezuela tem bloqueado e inviabilizado as decisões da Assembleia Nacional desde que a oposição conseguiu uma maioria no parlamento, em janeiro.

A oposição considera que Maduro não só controla os tribunais e os órgãos eleitorais, como os usa para bloquear, por exemplo, o referendo para afastar o presidente.




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