Câmara de Viseu pede correcção de apoios ao Teatro Viriato

Teatro Viriato




O vereador da Cultura na Câmara de Viseu, Jorge Sobrado, pediu hoje que o Estado “corrija o paradoxo” de considerar o Teatro Viriato “um projecto modelar e exemplar”, e ter previsto um corte no seu financiamento.

Aludindo aos resultados provisórios das candidaturas ao Programa de Apoio Sustentado da Direcção-Geral das Artes (DGArtes), para o período 2018-2021, segundo os quais o Teatro Viriato poderá ter um corte de 23% no financiamento, Jorge Sobrado considerou não ser possível, por um lado, “dizer que há um projeto que é modelar, exemplar e uma referência no país e, por outro, pontuá-lo de forma menos justa”.

Por isso, o vereador disse esperar “que se faça justiça ao projeto exemplar destes últimos 20 anos do Teatro Viriato e que, em sede de revisão do concurso da DGArtes, se reponha a justiça no mérito da proposta, do historial e do território cultural criado pelo Teatro Viriato”.

“O município de Viseu, enquanto parceiro do projeto, espera que o Estado central corrija aquilo que é um paradoxo”, frisou Jorge Sobrado, durante a conferência de imprensa de apresentação da programação do Teatro Viriato para os próximos quatro meses.

Na sua opinião, esta programação “é também uma manifestação de esperança”, a pensar nos jovens talentos e nos novos públicos e “no justo financiamento do Estado central ao projeto”.

A diretora do Teatro Viriato, Paula Garcia, disse que, quando saíram os resultados provisórios do concurso, o programa hoje apresentado já estava “praticamente na gráfica”.

“Respondemos agora em audiência de interessados. Vamos aguardar pelos resultados definitivos para então depois tomar as decisões, se houver lugar a tomar decisões”, acrescentou.

O apoio da DGArtes ao Teatro Viriato tem sido de cerca de 400 mil euros por ano. Este financiamento é completado pelo apoio do município de Viseu, que já garantiu que continuará a atribuir 380 mil euros.

O Teatro Viriato (Centro de Artes do Espetáculo de Viseu – Associação Cultural e Pedagógica) concorreu ao Programa de Apoio Sustentado, na área de Cruzamentos Disciplinares, tendo ficado em primeiro lugar, nos resultados provisórios, com um apoio global previsto de 1,320 milhões de euros, de 2018 a 2021, com valores anuais a atribuir entre os 307 mil e os 337 mil euros.

O júri, em ata a que a Lusa teve acesso, considerou a candidatura “clara e bem fundamentada”, dando “continuidade à estratégia de excelência que a instituição tem vindo a afirmar, em vários domínios da criação contemporânea”.

Os concursos do Programa de Apoio Sustentado da DGArtes, para os anos de 2018-2021, partiram com um montante global disponível de 64,5 milhões de euros, em outubro, subiram aos 72,5 milhões, no início da semana passada, perante a contestação no setor, e, na quinta-feira, o Governo anunciou novo reforço para um total de 81,5 milhões de euros.

Este reforço garante verbas para o apoio, para já, de 183 candidaturas, contra as 140 iniciais, incluindo estruturas culturais elegíveis que tinham sido deixadas de fora, por falta de verba, segundo os resultados provisórios conhecidos desde há duas semanas.

O Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021 envolve seis áreas artísticas – circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro – tendo sido admitidas a concurso, este ano, 242 das 250 candidaturas apresentadas.

De acordo com o calendário da DGArtes, os resultados definitivos deverão ser conhecidos até meados de maio, nas diferentes disciplinas. Para já, são apenas conhecidos os resultados definitivos nas áreas da dança e do circo contemporâneo e artes de rua.




Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.